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Ele conecta até plantas à internet

O italiano Massimo Banzi criou, em 2005, o Arduino, uma tecnologia que permite a conexão de tudo a tudo. Agora, ela se transformou em uma febre mundial e produz toda a sorte de inovações

FONTE: http://epocanegocios.globo.com/Ideias/noticia/2015/07/ele-conecta-ate-plantas-internet.html?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=post

 

O ARDUINO É ESSA ENGENHOCA DA IMAGEM ACIMA. TRATA-SE DE UMA PLATAFORMA PARA FAZER PROTÓTIPOS DE PRODUTOS ELETRÔNICOS. ELA PERMITE A TROCA DE INFORMAÇÕES ENTRE SISTEMAS. TORNOU-SE POPULAR EM TODO O MUNDO POR SER DE FÁCIL UTILIZAÇÃO, FLEXÍVEL E DE BAIXO CUSTO. (FOTO: JOE PUGLIESE)

 

Dez anos atrás, o designer italiano Massimo Banzi começou a trabalhar em uma ideia que parecia, no mínimo, insólita. Ele e um grupo de colegas queriam conectar quaisquer tipos de equipamentos entre si. Na prática, isso permitiria que o som de uma guitarra acionasse uma máquina fotográfica. Ou ainda que um robô reagisse a mensagens de SMS. Maluco? Sim. Mas deu certo. O resultado foi o Arduino, uma placa-mãe universal de tecnologia aberta (sem restrições de copyright). É ela que possibilita a conexão de tudo a tudo. Hoje, pela  simplicidade de manuseio, a engenhoca abriu espaço para uma proliferação crescente de inovações, batizada de “makers revolution” (a revolução dos “fazedores”). Ainda não estão claros os limites para a aplicação da plataforma. Ela é usada em drones, impressoras 3D e até no Cern, o mega-acelerador de partículas europeu. No dia a dia, cometeu proezas. Fez com que uma planta enviasse a seu dono um alerta pelo Twitter com a seguinte frase: “Preciso de água”. “O projeto deu personalidade à planta”, diz Banzi.

 

 

Leia, nas páginas seguintes, a entrevista com Banzi.


Ele conecta até plantas à internet (Foto: Creative Commons)

“A inovação acontece de forma distribuída”
Para Massimo Banzi, é isso que permite às pessoas transformar ideias em produtos em um ritmo inédito

Época Negócios  Como dimensionar o movimento dos “fazedores”, as pessoas que usam recursos como o Arduino para inovar?
Massimo Banzi  
A comunidade cresce muito. Dois anos atrás, em um evento chamado Maker Faire (feira do “fazedor”), em Roma, 35 mil pessoas participaram. No ano passado, foram 90 mil. Este ano, em outubro, devem comparecer 150 mil. Outro salto ocorreu na Califórnia. Há poucos anos, a maior feira realizada nesse estado americano reunia 10 mil pessoas. Agora, são no mínimo 150 mil. A adesão avança rapidamente.

Época Negócios  Por quê?

Massimo Banzi  As pessoas entenderam que existem formas não convencionais de inovar. O conhecimento tem sido compartilhado pela internet de maneira crescente. Muitas vezes, esse compartilhamento não acontece por meio de uma linguagem científica, acadêmica. Mas é abrangente. Assim, muitos podem entrar no barco da inovação. Esse ingresso já não é mais limitado pela escolaridade. Todos podem aprender a lidar com as novas tecnologias. Somente o site do Arduino registrou 80 milhões de usuários no ano passado.

Época Negócios  Qual tem sido o engajamento dos brasileiros?
Massimo Banzi
  Há um movimento forte de “fazedores” no Brasil. Todo ano, desde 2011, organizamos o Arduino Day, uma conferência que acontece no mesmo dia em todo o mundo. No ano passado, foram 26 eventos no Brasil e 21 nos Estados Unidos. Ou seja, os brasileiros têm demonstrado grande interesse pelo Arduino.

Época Negócios  Hoje, os “fazedores” são os típicos inovadores de garagem. Uma grande corporação poderá nascer dessa nova onda?
Massimo Banzi
  Não sei se surgirá uma grande corporação. Mas muitas empresas interessantes nasceram da revolução dos “fazedores”. A Makerbot, que faz impressoras 3D, foi comprada, em 2013, por US$ 400 milhões pela Stratasys, que produz esse tipo de equipamento. Eles começaram em um “maker space” [um ponto de encontro de “fazedores”], em Nova York, com três pessoas, e criaram a primeira impressora 3D comercial de fácil manuseio do mundo. Outras empresas seguiram o mesmo caminho e agora têm centenas de empregados.


Mal na foto
Em março, Banzi foi a atração do Congresso Global de Empreendedorismo, em Milão. Lá, um ranking inédito da Endeavor mostrou que o Brasil é o 100º (entre 130 países) em ambiente para empreender


Época Negócios  O senhor diz que o mundo vai migrar da produção em massa para a inovação em massa. Como isso vai acontecer?
Massimo Banzi
  O modelo de inovação está mudando. Agora, temos novas ferramentas à disposição das pessoas. Elas podem desenvolver ideias até o ponto em que deem origem a empresas. A inovação acontece de forma distribuída. Um grupo de jovens em São Paulo não precisa fazer um investimento massivo em pesquisa e desenvolvimento para construir uma impressora 3D. Eles fazem isso com informações que baixam da internet. Depois, colocam alguma inovaçãozinha incremental e está pronto.

Época Negócios Os “fazedores” dependem de financiamento coletivo, o crowdfunding, ou podem contar com dinheiro de investidores maiores?
Massimo Banzi
  Um problema para os investidores de risco é que as pessoas aparecem com um pedaço de papel e falam: “Tenho uma ideia, me dê o dinheiro”. Essa é uma situação arriscada. Não é possível saber quem de fato conseguirá levar adiante uma ideia. O movimento dos “fazedores” permite que as pessoas construam um protótipo. A situação muda se você aparecer para conversar com investidores com algo que funciona. Mas, sim, alguns inovadores dependem de crowdfunding. Um ano atrás umas pessoas do Kickstarter, o maior site de financiamento coletivo do mundo, me falaram que viabilizaram mais de cem projetos relacionados ao Arduino. Eles receberam, ao todo, US$ 7 milhões.

Época Negócios Como o projeto Arduino ganha dinheiro?
Massimo Banzi
  Ainda não recebemos investimentos, aportes ou coisas do tipo. No começo, só vendíamos as placas. Agora, também trabalhamos para grandes empresas, em projetos de pesquisa. Estamos começando a prestar serviços e eles poderão ser vendidos.

Época Negócios O que dizer aos “fazedores” que tentam transformar um protótipo em uma empresa?
Massimo Banzi
  Quando estiver pensando em uma ideia ou mesmo criando uma empresa, tente pensar em outra ideia que poderia competir com o seu próprio negócio. É sempre importante  fazer esse tipo de exercício antes que outra pessoa o faça por você.


A nova revolução do “faça você mesmo”
De brinquedos a equipamentos que salvam vidas, os usuários do arduino criam de tudo (o que inclui algumas bobagens)

O gato certo (Foto: Thinkstock)

O gato certo

Um americano tinha dois gatos, um saudável e outro que precisava de dieta especial. Para ter certeza de que cada um comeria a sua comida, ele colocou sensores nas coleiras dos bichos. Os potes de ração só eram abertos quando o animal certo se aproximava. O Arduino fazia a conexão entre os sensores e a porta automática dos potinhos.

Gestos transformados em fala  (Foto: Thinkstock)

Gestos transformados em fala

O americano Jeremy Blum criou uma tecnologia que transforma a linguagem de gestos, usada por pessoas com deficiência de fala ou audição, em áudio ou em texto. Uma luva equipada com sensores de movimento transmite informações para o Arduino, que as transforma em palavras faladas ou em texto, escrito em uma tela de computador.

Alerta de terremotos (Foto: Thinkstock)

Alerta de terremotos

Usando uma placa Arduino, um garoto chileno de 14 anos conectou um sismógrafo a uma conta do Twitter. Ela posta alertas para os seus seguidores (mais de 400 mil) quando há risco de um terremoto atingir o país.

Planta sedenta (Foto: Thinkstock)

Planta sedenta

Um projeto chamado Botanicalls ligou sensores colocados em uma planta a uma conta de Twitter. Eles disparam mensagens pré-programadas com frases como “está muito calor” ou “preciso de água”.

Censura amiga (Foto: Thinkstock)

Censura amiga

O americano Matt Richardson inventou um dispositivo chamado “Enough Already” (já basta), que tira o som da TV cada vez que uma celebridade da qual ele não gosta tem o nome mencionado em um programa.

Drones e muito mais (Foto: Thinkstock)

Drones e muito mais

Uma série de projetos tem usado o Arduino para fazer drones e impressoras 3D. Nesses casos, ele serve como placa-mãe desses equipamentos. Como a tecnologia é aberta (sem copyright), o custo para tirar um protótipo do papel é baixo.

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